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Por Willy - Parece existir dois eus em mim.

Se você se aprofundar em seu interior, perceberá que há basicamente dois eus, um silencioso, sábio, calmo e corajoso, e outro rabugento, dependente, criador de problemas e que contém muitos eus dentro dele, e cada um tem sua própria vontade e personalidade. O segundo é o eu ilusório derivado da mente, movido por impulsos egoicos, enquanto o verdadeiro eu permanece mesmo quando esse cessa e se expressa por meio da simplicidade e da quietude e sempre sabe intuitivamente o que é o melhor para nós e para os outros. Podemos defini-los como o eu verdadeiro — que existe mesmo sem a mente, é permanente e imutável — e o eu falso — que necessita da mente e da consciência para existir, é passageiro e está em constante mudança. O eu verdadeiro não pode ser corrompido nem afetado pela mente e seus desejos impulsivos ou por nenhuma tentação, definição ou imaginação, pois é anterior à mente. Quando estamos em silêncio, podemos perceber o eu falso desaparecer e a única coisa que sobra é o silêncio do verdadeiro. Como ele poderia ser real se desaparece?


O eu puro é imutável e incondicional, está em paz consigo, não corre atrás das coisas, apenas se move no fluxo natural da vida. Não briga nem insiste, simplesmente sabe o que é melhor sem ter que criar intrigas e dramas. Ele não pensa, simplesmente existe e não é corrompido por nada, permanece sempre puro, independentemente do quão caótica a vida aparentemente esteja. Já o eu falso é fraudulento, tem medos, desejos e anseios e vive numa eterna briga entre buscar o prazer e fugir da dor, mas nunca se satisfaz, está sempre em uma eterna dualidade de insatisfação e oscilação. Facilmente se desespera quando a vida não acontece como ele quer, é dependente dos objetos para garantir sua falsa sensação de identidade, quer sempre ficar no conforto e na segurança do conhecido, mas, paradoxalmente, quando está em segurança, acaba se entediando e indo procurar coisas que nunca encontra em lugar nenhum.


O eu verdadeiro é a fonte da paz, da felicidade, da calmaria, do amor e da bem-aventurança. Não é uma identidade, nem um “novo eu” que você está criando, mas o que você é quando deixa de ser tudo aquilo que não é. O verdadeiro eu não é definido por nada, é uma sensação de simplesmente ser sem ter que proclamar nada. O eu falso é a fonte de miséria, infelicidade, insatisfação, preocupação, medo e de todas as emoções negativas. Você precisa gastar uma tremenda energia para sustentá-lo, pois ele necessita de intrigas, dramas, novelas, brigas, conflitos, desejos e anseios para permanecer no controle, já que, sem isso, ele perde suas forças. Não há necessidade de brigar contra o falso eu, ele é ilusório e existe apenas porque acredita em si mesmo e nos dramas que cria. Apenas o reconheça como sendo falso, sem grandes buscas ou lutas, ele é falso aqui e agora, então o reconheça.


O eu verdadeiro será percebido quando o eu falso for reconhecido, esse é o processo natural. Quando irreal desaparece, o real é reconhecido. Quando o filme acaba, a tela da consciência pura em que passava o filme continua lá, intacta; da mesma maneira, quando o filme do falso eu acaba, a tela do verdadeiro eu é reconhecida. Essa é a solução mais direta.

Nós queremos nos livrar da infelicidade, mas não da verdadeira causa da infelicidade, que é quem acreditamos ser, pois o que causa o sofrimento é a crença de que você depende das pessoas, dos objetos, das circunstâncias para ser feliz, pois ignora sua verdadeira natureza, que nada tem a ver com o sofrimento criado pela identidade mental.

Para ser feliz, você não precisa de nada além do autoconhecimento, pois quando se conhecer, perceberá que já existe uma felicidade interminável permeando todo o seu interior e a sua vida, ou seja, sem saber, você já vive em eterna felicidade, mas não quer explorar ou saber dela por simples demais, sensível demais. Nós preferimos a infelicidade por ser complexa e nos dar uma falsa sensação de existência. Eu sofro, portanto, existo e preciso procurar a felicidade. Essa é a trapaça criada pela identidade egoica, que nos faz acreditar que somos incompletos e imperfeitos e que precisamos encontrar a solução em algum lugar fora de nós. Que Deus é esse que criaria um ser que não consegue ser feliz naturalmente?


Ao reconhecermos que já somos eternamente felizes, acabarão os apegos, as necessidades autocentradas, o controle, os dramas, as novelas e toda a busca. Como poderíamos buscar algo quando tudo de que necessitamos já se encontra dentro de nós? O exterior se torna apenas um complemento proporcionado pela vida. Quem estaria disposto a se livrar de si mesmo para ser eternamente feliz?


Retirado do texto Você não é quem acredita ser, de Willy.

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