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Por Adyashanti - Jesus / uma vida iluminada / verdadeira autonomia.

Ser humano é estar aberto para as experiências muito humanas. A força e o caráter de alguém como Jesus é reverenciado não por causa que ele nunca sentiu angústia ou frustração. Ele é reverenciado porque apesar de ter tido muitas dificuldades e angústias, ele ainda assim seguiu sua intuição e seu destino. Ele era um ser autônomo. Ele não tentou escapar de suas experiências, de sua existência. Ele não tentou correr para um estado meditativo que iria assegurar que ele não iria mais sofrer e ter altos e baixos como todo ser humano tem. E através de sua experiência humana, ele foi capaz de manifestar algo extraordinário, uma vida extraordinária, um ensinamento que era único e dinâmico.

Nascer como ser humano, tomar essa forma, é ser desafiado. Até mesmo para os despertos, a vida não é sempre tranquila. Como eu gosto de lembrar as pessoas, até mesmo quando a iluminação vem, até mesmo quando você realiza sua essência liberta, isso não te dá um direito a um passe livre da vida. Não significa que você não irá mais encarar dificuldades. Muito pelo contrário, quanto mais desperto você for, mais capacidade nós temos e mais capacidade a vida tem de nos proporcionar situações que nós temos capacidade de aceitar e incorporar nossas aprendizagens espirituais, é assim que nossa essência 'cresce' nessa vida. E a vida pode e responde através desse crescimento, e de muitas maneiras ela parece exigir mais e mais de nós.

Isso não é o que a maioria das pessoas pensaram quando tinham em mente a 'libertação espiritual'. Normalmente, as pessoas tem a ideia que a liberdade espiritual é livre de sofrimentos e desafios. Que nós somos tão livres que transcendemos estar vida. Porém, alguma hora, nós veremos que essa é uma visão imatura da libertação.

Nós somos livres o suficiente e abertos o suficiente para encarar a vida? Uma liberdade grande o suficiente para andar sobre nossos próprios 'sapatos', ocupar o espaço aonde a gente está? Apesar de nós não sermos separados, apesar de todo o universo estar contido em nós, ainda existe o componente humano, uma pessoa individual com a capacidade de incorporar o espírito nessa experiência humana. Nós podemos nos abrir para isso ou nos fechar.

Durante a nossa jornada espiritual, nós passamos a descobrir o que é a verdadeira autonomia. Quando as pessoas vem me ver, eu falo para elas o quão essencial é elas viverem sua verdadeira autonomia, não no final do processo, não no final do despertar ou da iluminação, mas logo no início.

Uma das coisas que todos fazemos quando somos expostos aos ensinamentos espirituais, principalmente aos ensinamentos que não entendemos, é que nós abdicamos de nossa autoridade. Eu vejo isso toda hora quando falo com as pessoas. Muitas pessoas vem conversar comigo e tentam abdicar de sua autoridade. Eles tentam me dar seus problemas, suas dúvidas, sua vida, e normalmente eu falo, ''Não, você não pode fazer isso''. você não pode fazer isso, mesmo no início, porque pensar que a gente irá se iluminar nos pés de um guru ou que ele irá nos guiar a iluminação é apenas ilusão. (willy fala, se um guru tivesse o poder de iluminar seus discípulos ele não teria seguidores, pois todos já seriam iluminados). Não funciona dessa maneira. Despertar, descobrir o que realmente é a iluminação, é entrar em contato com o fim do nosso sofrimento, e requer que a gente ocupe nossa vida, nossa encarnação, sem controlar ou se identificar com isso. Nós devemos achar um lugar de permanecer 'eretos', mas sem dizer. ''Sou eu!'' ou ''Eu fiz!''. Tomar o nosso acento na autonomia verdadeira não é algo que acontece apenas no final da busca espiritual, mas tem que acontecer logo no início.

Uma das maneiras de saber se um ensinamento espiritual é bom ou não,, é ver se ele te ajuda a escutar nossa sabedoria interior. Ele vai te dizer se você está saindo de seu equilíbrio, se está muito para direta ou esquerda ou fora do caminho. Um verdadeiro ensinamento espiritual nunca vai tirar a autonomia de ninguém, não será necessário perder nosso bom senso. Sim, não se prenda as ideias julgadoras, nossas visões limitadas, porém não abdique de sua autoridade, porque em todo mundo, mesmo no início da caminhada, há verdade em nós, um senso intuitivo de o que é real e o que não é. Pode ser difícil achar inicialmente, mas um bom ensinamento espiritual te ajuda a encontrar usa própria verdade - se tornar silencioso, espaçoso para que assim possa escutar as maneiras que a vida es comunicar com você. Essa é a sua sabedoria interior. É o seu professor interior, e é o início da incorporação da sua verdadeira autonomia.

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Nesse processo do despertar espiritual e encontrar nossa verdadeira autonomia, é muito fácil perder nosso equilíbrio. As vezes nós vamos nos prender a nossa autonomia antes de estar prontos para lidar com ela. Uma vez minha professora me mandou para outro professor para fazer meu primeiro retiro Zen porque eu disse que queria fazer um retiro tradicional. Então eu fiz a minha mochila e dirigi até o templo Zen, em Sonoma, California. Era no topo da montanha e eu estava ansioso de estar lá! Eu antecipei esse momento por alguns ano, e lá estava eu num templo Zen tradicional, e eu estava prestes a começar meu primeiro retiro Zen. Eu sabia que os retiros Zen eram muito rigorosos, e a agenda era meditar pelos menos 9 vezes por dia, todos os dias, até mesmo durante a noite até o último dia. Eu olhei para esse retiro com muita inspiração, pelas histórias que eu escutei sobre.

Eu nunca vou esquecer o meu primeiro encontro privado com o professor. Ele me perguntou como eu meditava. Eu disse a ele que apenas ficava em silêncio e ficava olhando para meu interior, me permitindo ser guiado, e isso era o que parecia certo para mim. Quando eu expliquei isso para meu professor, ele falou, ''Você não veio aqui para você o que você quer fazer. Você veio aqui para mim te ajudar. O que é que você quer?''. Eu me lembro do sentimento e me chocou. Ele estava literalmente me dizendo, ''o seu ego não tem participação aqui''. Eu fiquei chocado pois eu já tinha visto vídeos dele e ele parecia ser amoroso e caloroso.. E agora lá ele estava fazendo essas demandas para mim em nosso primeiro encontro. Então eu refleti e tive a realização, ''É verdade. Eu não vim até aqui para fazer as coisas da maneira que eu acho correto. Se fosse assim eu poderia ter ficado em casa e fazer da maneira que eu achava correto.'' Então eu disse, ''Eu vou lhe ouvir. Eu vou tentar fazer o que você sugere''. O professor me falou sobre uma técnica que parecia entediante, nada interessante. Era contar um a cada inalação que eu fizesse, até 10. Ele também tinha uma maneira específica que ele queria que eu sentasse, arrumasse os ombros e as costas, e fizesse uma posição com as mãos, chamado de mudra. Tudo pareceu muito técnico para mim, porém eu decidi ir lá para ver o que ele tinha para me ensinar.

Depois de 3 ou 4 dias eu tive outro encontro privado com ele, e ele me perguntou como estava as coisas. Ele me fez sentar, porque ele queria ver como estava minha postura. Então ele olhou para mim e fez algumas correções. Então nós conversamos um pouco e ele perguntou como que estava a experiência de contar a respiração. Eu disse, ''Bom, é entediante, e eu fico me perdendo na contagem, mesmo antes de chegar no 10.''

Ele disse, ''isso é natural. Não se preocupe com isso. Quando você se perder, apenas retorne ao um novamente ; não se preocupe com isso. Apenas deixe acontecer.

Eu fui para a casa depois que o retiro terminou, e eu decidi continuar a meditação que ele me ensinou. Depois de alguns meses eu mandei uma carata a ele. Eu disse, ''Eu fiz essa meditação que você me falou para fazer, e eu ficarei feliz em continuar caso você ache melhor, porém eu estou tendo essa intuição de que talvez eu deva parar de contar a respiração. Eu não sei se é a coisa correta de se fazer, porém minha intuição me diz que é melhor apenas ficar em silêncio''. No final da carta, eu escrevi, ''Mas se você acha que não é a coisa correta a se fazer, me fale,'' então eu enviei a carta.

Eu recebi uma carta depois de algumas semanas. O professor apenas comentou no final da minha carta, e ele disse, ''Parece bom para mim. Tudo ok. Faça desse jeito''.

Esse foi a minha compreensão de o que era estar em uma verdadeira relação com um professor espiritual. O que ele fez em nosso primeiro encontro foi mais importante do que a técnica do que ele passou. Tinha algo muito mais importante acontecendo. O que ele estava realmente me dizendo, no fundo, sem me dizer diretamente, era que o meu ego, minhas preferências, não tem parte para participar na vida espiritual, que ele não iria seguir os desejos do meu ego e meus quereres, que a nossa relação não seria baseado nisso. Ele desenhou uma linha na areia. Porém conforme eu fui largando do meu ego e comecei a escutar o que ele tinha a dizer, então eu comecei a receber uma intuição e guiança do meu professor interior. E foi nesse momento que ele começou a me 'devolver' a minha autonomia que ele tinha pego no primeiro encontro. Foi muito sábio. Um verdadeiro professor sempre irá tentar te devolver a sua autoridade assim que você está pronto para receber - e sem se tornar auto-centrado e egoico novamente.

Quando as pessoas vem me ver, eu sempre digo a elas que elas vão ter que achar a verdadeira autonomia e autoridade dentro delas. Eu serei feliz em guiá-las e ajudar a char, porque é fácil perder no meio do caminho. Porém é importante saber que na espiritualidade que você tem que largar todas as ideias de abandonar de toda autoridade, de abdicar a auto responsabilidade e dar para um professor espiritual - ou qualquer pessoa, independente de quem seja. O que é realmente importante é ter a capacidade de estar aberto e escutar, que nós temos a capacidade de estar disponíveis, escutar as coisas que não queremos escutar, e poder enxergar de novos pontos de vista.

Um verdadeiro ensinamento espiritual vai sempre desafiar a nós, desafiar nossos pontos de vista, a maneira como pensamos. Se apenas fortalecer nosso ponto de vista e crenças, então não é bom para nós, pois esta apenas fortalecendo nossas ilusões de separação e superioridade.

**** A nossa autonomia é descoberta em cada e todo momento. requer que a gente esteja aberto para a nossa existência, porque a verdadeira expressão da nossa natureza espiritual é o amor, e o amor não é o que nós achamos. O amor é sinônimo com esse acolhimento da vida. Amor é ver a si mesmo como tudo e todos, e isso não é visto através da mente. Você não conseguirá ver todos como um através do ego. Você pode apenas ver através da sua essência.

Veja alguém como Jesus. A sua vida era uma manifestação do amor- cheia de altos e baixos, milagres e momentos difíceis. Toda sua vida era uma manifestação de amor, e os seres humanos foram muito beneficiados pela sua história por dois mil anos. A vida de Jesus era um presente, assim como a sua. Isso não significa que você será um grande professor, o que você será conhecido. Não significa que você se tornará alguém grande ou lembrado na história da humanidade. Isso pode até acontecer. Ou pode não acontecer. Enquanto você se preocupar em ser lembrado ou ser significante, você ainda não se entregou totalmente. E se você descobrisse que o espírito quer se manifestar através de você como uma pessoa simples, ordinária, desconhecida, porém uma pessoa com grande amor, compaixão, e sabedoria? Talvez ninguém te reconheceria. Talvez ninguém iria reconhecer em você, mas isso seria o que você é. E se fosse assim que a vida gostaria de se manifestar através de você? Isso seria ok para você? Você iria permitir que isso acontecesse?

É apenas o nosso ego e nossa mente que vê toda a espiritualidade e autonomia com noções egoícas. É obvio que alguém como Jesus ou Buda não se preocupava como as pessoas viam elas. Eles não se preocupavam em ser lembrados. Eles não estavam buscando isso. Eles eram forças dinâmicas do amor e a iluminação espiritual na dimensão do tempo e espaço. Eles se entregaram e viveram a verdade em suas vidas, através da dedicação, expressão e incorporação do amor. Lembre-se, Jesus não foi amado por todos. Os seus ensinamentos o fizeram ser morto! Ele não andava por aí com todo mundo sobre seus pés. Longe disso! Então qualquer ideia que nos temos sobre o despertar espiritual e uma vida espiritual são apenas ideias, é apenas imaginação, e enquanto estamos imaginando como nossa vida deveria ser, então nós estamos perdidos. Apenas girando em nossa própria imaginação.

A vida espiritual acontece a cada instante, através do silêncio interior. É o não-nascido se manifestando a cada momento. Não existe um 'como' deveria acontecer as coisas. Eu não posso ensinar a como fazer isso. Eu só posso dizer que isso é possível. Você pode sentir. Você sentiu a sua vida toda. Você sempre soube que tinha algo dentro de você querendo ser 'nascido', fresco e real. Você sabe que tem algo dentro de você, que está além da imaginação, que estava tentando se tornar incorporado em sua vida. Todo mundo sente isso. Porém expressar isso, com total entrega, requer uma entrega absoluta ao desconhecido. Nós temos que abandonar todas nossas realizações que tivemos, nossos insights, nosso êxtase. Até mesmo os grandes momentos de 'realização'.

O convite é para todos nós permanecermos na mente de iniciante, sempre permanecer nessa essência, nessa presença, porque é esse potencial que nasce em nós o despertar, a autonomia e a libertação do sofrimento. Os grandes sábios durante a história sempre nos falaram que o que eles realizaram era para cada um de nós, e não era único para eles. Não é algo que eles possuem. É algo que eles realizaram e era inerente em todos e todo mundo, porque realmente, não é eu ou você que desperta. É a vida que desperta. A sua vida se torna uma expressão daquilo que é inexplicável e indefinível.


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