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Por Rupert Spira - Qual é a nossa verdadeira experiência de um objeto?

Atualizado: 23 de set. de 2020


Para investigar a natureza da experiência, nós podemos pegar o exemplo de uma árvore. Quando nós olhamos para uma árvore, nós experienciamos a percepção visual. A percepção não é nunca apenas sobre a árvore. A aparente árvore é sempre parte de uma percepção maior que envolve o espaço, o céu, outras árvores, e assim por diante. E essa experiência é incluída em uma experiência maior que pode conter pensamentos, imagens e sensações também.


Então, a idéia de uma ‘’árvore’ remete algo que nunca é experienciado como tal. Nós nunca experienciamos uma árvore da maneira como é concebida. O conceito árvore é uma abstração que é superimposta na realidade da experiência em si, independente de qual realidade seja.


Nós não temos dúvidas que aquele algo, que é referido como uma árvore, está sendo experienciado, porém o conceito de ‘árvore’ não descreve esse ‘algo’.


Despojado de interpretações que a mente super impõe na experiência em si, o que sobra é a percepção visual. O que não é imediatamente óbvio é que essa percepção visual também é super imposta naquilo que também percebe essas faculdades, os sentidos, por mais que sobre certo sentido, esteja mais próximo daquilo.


A árvore vê a si mesma? A árvore sabe que é uma árvore? A árvore afirma que é uma árvore? Quem é que disse que é uma árvore? È a mente sozinha que faz essa afirmação.


A árvore tem alguma qualidade visual inerente que é independente dos sentidos? Não. Ver pertence ao sentido, não a árvore. Qualquer um dos sentidos transmite suas próprias características sobre o objeto experienciado.


Nós sabemos isso através da nossa própria experiência,porque o ver persiste quando uma árvore está ausente, por exemplo, quando nós vemos um carro, porém a percepção visual da árvore não persiste quando a visão está ausente. As qualidades visuais da árvore pertence aos sentidos.


A visão, portanto existe naquilo que vê, seja o que for aquilo que vê, mas não a aquilo que é visto. O que é visto existe naquele que vê.


Porém, nós não temos dúvida que existe algo na nossa experiência da árvore. O que é esse ‘’algo’’? Qual é a realidade da árvore quando ela é despojada tanto das super imposições conceituais da mente quanto das super imposições perceptuais dos sentidos?


Seja o que for, está inquestionavelmente presente e mesmo assim não tem qualidades objetivas. Seja lá o que for, está sendo inquestionavelmente experienciado.


O que é na nossa experiência que é inquestionavelmente presente e ainda assim não tem qualidades objetivas? É a consciência, nós mesmos.


Portanto, é a nossa experiência direta e íntima que a realidade da árvore é idêntica a realidade de nós mesmos, a consciência. Não existem duas coisas, o que é visto e aquele que vê, na nossa experiência. A realidade daquele que vê e a realidade daquilo que é visto é uma só substância, e essa substância é nós mesmos, consciência.


Dessa maneira nós pegamos os objetos, como realmente eram, para nós mesmos. Na realidade, os objetos nunca saíram de nós mesmos.


O que nós vemos é nós mesmos, a consciência, que toma a forma de ver para se tornar o mundo visual, que toma a forma do escutar para se tornar um som, que toma do sabedoria para se tornar um gosto, que toma a forma do cheirar para se tornar um cheiro e que toma do tocar para se tornar a textura.


E ainda assim, nunca se transforma em nada mais do que ela mesma, consciência.


Tradução do texto https://non-duality.rupertspira.com/read/what_do_we_experience


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